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“Antígona” é tema de nova coleção virtual do Centro de Pesquisa Teatral do Sesc - SP

 

Fotos do cenário de J.C. Serroni - inspirado nos cemitérios verticais, com nichos e gavetas - fazem parte da mostra virtual que também traz ao público seleções dos figurinos da terceira adaptação de tragédias dirigidas por Antunes Filho.

 

Em 5 de abril de 2021 entra no ar uma mostra virtual dedicada à montagem de “Antígona”, feita em 2005 sob direção de Antunes Filho. A coleção, disponibilizada pelo Centro de Pesquisa Teatral do Sesc-SP, se junta a outras cinco - A Pedra do Reino, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Xica da Silva, Fragmentos Troianos e Medéias - disponíveis de forma on-line na plataforma Sesc Digital.

As Coleções e Acervos Históricos CPT_SESC trazem ao público seleções dos figurinos e outros itens de peças encenadas pelo CPT em seus 38 anos de trajetória. No caso de “Antígona”, além de duas dezenas de fotos de figurinos (em altíssima resolução, que podem ser ampliadas para observação dos menores detalhes), feitas por Bob Sousa, a coleção traz também fotografias de cena feitas por Nilton Silva e peças gráficas utilizadas na divulgação do espetáculo em sua passagem pela Espanha. 

Nessas fotos do Silva é possível conferir o cenário proposto por J.C. Serroni, inspirado nos cemitérios verticais, com nichos e gavetas, por onde os personagens entravam em cena. De acordo com o cenógrafo, a ideia surgiu a partir da informação de que partes inteiras de monumentos – paredes, colunas – foram levadas para museus na Europa, em decorrência dos conflitos no Oriente Médio. Dessa forma, o cenário de Antígona representa uma dessas paredes, exposta como se estivesse num museu. Um relato, em vídeo, de Serroni (também responsável pelos figurinos da peça) também faz parte da mostra.

O espetáculo marca o retorno da parceria entre Antunes Filho e J.C. Serroni. A primeira tentativa da dupla de levar Antígona aos palcos foi nos anos 1990, porém, o diretor achava ainda não ter encontrado os atores que correspondiam à sua expectativa. Mais tarde, em 2005, com o desenvolvimento de seu método voltado à preparação do ator - em especial a preocupação com a voz - Antunes retomou o projeto, completando o ciclo de adaptações das tragédias gregas, junto com “Fragmentos Troianos”, “Medéia” e “Medéia 2” (as três já contam com coleções no sesc.digital). As peças compartilham entre si alguns elementos como o forte trabalho vocal e corporal, o mergulho do universo feminino e usar o texto clássico para falar de questões contemporâneas.

 

A versão de Antunes para a tragédia de Sófocles

Antígona é a continuação dramática de Édipo Rei e terceira e última tragédia que compõe a trilogia que fala sobre a cidade de Tebas, uma cidade estado grega (antiga aliada de Esparta) composta ainda de Édipo em Colono. A personagem que dá nome à tragédia é uma das filhas de Édipo e luta pelo direito de enterrar seu irmão Polinice com as honrarias tradicionais dos funerais. Direito esse que havia sido negado pelo tio de Antígona, Creonte, que naquele momento governava o reino de Tebas, sob pena de morte.

Milhares de interpretações foram dadas à versão de Sófocles para o mito de Antígona, escrito por volta de 442 a.C. A proposta de Antunes Filho levada ao palco pela primeira vez pelo grupo Macunaíma em 2005 respeita a poética do dramaturgo grego impregnada de religiosidade e a atualiza, buscando os fundamentos da própria tragédia e os tornando acessíveis aos dias atuais. Contudo, a peça do CPT não está vinculada a nenhuma época ou cultura específica nem apresenta divagações sobre a psicologia ou a moral dos personagens, mas a busca de visões do todo através de conflitos trágicos.

O recurso básico utilizado na encenação é o “teatro dentro do teatro” (ou “metateatro”) e assume que a tragédia é uma forma de expressão da totalidade, observando o ser humano na relação direta com o Divino e não mediado por valores da realidade. Como Antunes disse em entrevistas na época, à moda de Tadeusz Kantor (diretor teatral que talvez tenha influenciado Antunes com seu ‘teatro da Morte’), Dionísio (ou Baco, em latim) é o deus que guia o enredo. O eterno retorno e a atualização mito estão presentes nos acontecimentos cênicos, como em qualquer rito cuja função é re-ligar o atual com o ancestral, o humano com o divino.

Se em Fragmentos Troianos (de 1999) o pretexto eram os conflitos étnicos, e as Medéias (de 2001 e 2002) retratam a natureza diante das devastações causadas pelo homem, Antígona fecha a trilogia de adaptações de Antunes para tragédias gregas falando de  liberdade e como ela se relaciona com o instinto de sobrevivência. 

 

As coleções

Com a adição de Antígona, já estão disponíveis seis coleções virtuais de Coleções e Acervos Históricos CPT_SESC. Vale frisar que todas estão on-line para serem visitadas a qualquer instante no Sesc Digital.

A primeira delas foi lançada em setembro de 2020: A Pedra do Reino (2006), sobre a encenação de Antunes e do grupo Macunaíma, com base na obra de Ariano Suassuna.

Em outubro, foi disponibilizada a mostra sobre A Hora e vez de Augusto Matraga (1986), baseada em conto de Guimarães Rosa. A peça marcou o encontro de Antunes com Raul Cortez e foi definida pelo ator como um marco em sua carreira.

Xica da Silva (1988) ganhou coleção em novembro. Protagonizada pela atriz Dirce Thomaz, a peça foi fundamental na trajetória e evolução do grupo com o uso da cenografia como elemento narrativo, mais do que simples recriação realista de um espaço, era parte efetiva na criação de significados no relacionamento com atores e texto.

Em dezembro, entrou no ar a coleção de Fragmentos Troianos (1999) é a primeira de um ciclo de adaptações de tragédias gregas realizada pelo CPT,  em um mergulho no universo feminino e no processo de criação focado na busca do que Antunes chamou de a sonoridade trágica, uma forma de interpretar tragédias no palco.

Em fevereiro de 2021 entrou no ar a Mostra dedicada às Medéias (de 2000 e 2001, respectivamente). A base do enredo é a peça de Eurípides sobre o mito grego de Medéia, de 431 a.C.. Cenário e o figurino remetem a um contexto de guerra, com figurinos em tons de cinza, preto e branco para fazer com que os atores se diluam nesse espaço e suas vozes (e o que estão dizendo) fiquem em primeiro plano.

 

Sobre os Acervos Históricos CPT_SESC 

A guarda do acervo de figurinos e demais documentos do CPT - Centro de Pesquisa Teatral do Sesc - integra as ações do Sesc Memórias, criado em 2006 para reunir, sistematizar e disponibilizar a documentação produzida e/ou acumulada pelo Sesc São Paulo, com o propósito de preservar seu patrimônio histórico e disseminar sua memória institucional.

As Coleções e Acervos Históricos CPT_SESC trazem ao público seleções dos figurinos e outros itens de peças encenadas pelo CPT em seus 38 anos de trajetória. Um minucioso trabalho de pesquisa possibilitou a recomposição e restauro de 150 trajes cênicos compostos por 470 itens, de 12 espetáculos: A hora e vez de Augusto Matraga, Antígona, Foi Carmen, Fragmentos Troianos, Gilgamesh, Medeia, Medeia 2, Nossa Cidade, Toda Nudez Será Castigada, Trono de Sangue, Pedra do Reino, Vereda da Salvação e Xica da Silva. Em seguida, os figurinos foram registrados pelo fotógrafo Bob Sousa, fotos essas que são hoje o fio condutor das Coleções.
 

Sobre o Sesc Memórias:

Implantado e coordenado pela Gerência de Estudos e Desenvolvimento (GEDES) do Sesc São Paulo, o Sesc Memórias foi criado, em 2006, para reunir, sistematizar e disponibilizar a documentação produzida e/ou acumulada pelo Sesc, com o propósito de preservar o seu patrimônio histórico e disseminar sua memória institucional. Assim, o processo de salvaguarda dos materiais – tanto os de conteúdo programático quanto os vinculados à própria existência das Unidades e órgãos da Administração Central – busca contribuir para a reflexão acerca do trabalho desenvolvido pelo Sesc, nos programas Educação, Saúde, Cultura, Lazer e Assistência. Volta-se, também, à promoção de pesquisas e de produção de conhecimentos, na medida em que oferece ao público interno e externo informações qualificadas, reforçando a memória como um valor a ser cultivado.

Caracterizado como um centro de documentação, o acervo do Sesc Memórias reúne informações que dizem respeito às ações do Sesc desde a sua criação, em 13 de setembro de 1946. Em diferentes gêneros, suportes, formatos, tipos e dimensões, a relação documental compreende materiais de divulgação, imagens, produtos institucionais, projetos e relatórios de avaliação.

 

Serviço

05/abril/2021

ANTÍGONA - Coleções e Acervos Históricos do CPT_SESC [disponíveis na plataforma Sesc Digital]

Figurinos, objetos de cena e materiais gráficos em coleção digital que apresenta o acervo do espetáculo “Antígona”, estreado em 2005, com direção de Antunes Filho.

 

Sobre o CPT_SESC  

O Centro de Pesquisa Teatral foi criado em 1982 como laboratório permanente de criações teatrais, formação de atrizes, atores, dramaturgas e dramaturgos. Ao longo das décadas, ganhou reconhecimento da crítica e de seus pares no Brasil e em outras partes do mundo como referência no fazer teatral. Foi coordenado por Antunes Filho por 36 anos. Agora, passado um ano da morte do diretor, o CPT propõe expandir suas ações em busca do constante desenvolvimento que o teatro contemporâneo exige, mantendo o diálogo com o seu legado.

Em tempos de distanciamento social, a programação do CPT_SESC acontece online, ampliando o acesso ao Centro que é referência da área teatral, formou mais de mil profissionais das artes cênicas e criou dezenas de espetáculos.

A programação, disposta em cinco eixos temáticos: Formação de Atores; Criação e Experimentação; Dramaturgia; Cenografia; e Memória, Acervo e Pesquisa, reúne artistas e técnicos com diversas formações, atuantes em diferentes instâncias da produção teatral, a fim de buscar a realização de um trabalho interdisciplinar a que sempre se propôs o CPT.

 

Confira a programação completa em www.sescsp.org.br/cpt e nas redes sociais:

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Informações para a imprensa:
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