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A Kiwi Companhia de Teatro faz curta temporada de Fome.doc na Oficina Cultural Oswald de Andrade

 

A Kiwi Companhia de Teatro volta em cartaz com seu espetáculo Fome.doc em curtíssima temporada: de 04 a 13 de julho de 2019 na Oficina Cultural Oswald de Andrade (R. Três Rios, 363, Bom Retiro, SP). Com roteiro e direção geral de Fernando Kinas, o espetáculo tem atuação da atriz Fernanda Azevedo, prêmio Shell em 2013 por sua atuação em Morro como um país, produção anterior da Companhia, do ator e cineasta Renan Rovida. A direção musical é de Eduardo Contrera e a execução ao vivo de Rafael Elfe.

Dois debates integram a programação dessa nova temporada do espetáculo em São Paulo: “Classe, Gênero e Etnia - a Fome na Atualidade" com Simone Nascimento - integrante dos Movimentos RUA e MNU (5/07)  e "Capitalismo e Soberania Alimentar" com Luiz Marques - professor do Depto de História da Unicamp e autor do livro "Capitalismo e Colapso Ambiental" (6/07). Fome.doc é um trabalho cênico inspirado nas técnicas e princípios do teatro documentário que discute, sob diferentes ângulos, os processos de desumanização e a fome no mundo.

A questão específica da fome, diferente do que se possa imaginar, é um tema presente na realidade de qualquer cidade brasileira, seja pela existência de bolsões de miséria, crescentes em função da crise social que vivemos nos últimos anos, seja pela discussão da alimentação saudável (uso de agrotóxicos versus agricultura orgânica).

A Companhia mantém vínculos com coletivos teatrais, organizações, associações e movimentos sociais, desenvolvendo com estes parceiros apresentações e outras ações (cursos, debates e oficinas). Também estabele contatos com universidades, escolas e cursos de teatro para garantir a participação de estudantes nas atividades, contribuindo para a ampliação e a perenização das discussões temáticas e formais propostas.

O projeto original de Fome.Doc foi premiado na 29ª Edição do Programa de Fomento ao Teatro e cumpriu duas temporadas em 2017: CCSP (julho e agosto) e Galpão do Folias (outubro), realizando 40 apresentações. Atualmente, Fome.doc circula pelo interior do Estado de São Paulo apoiado pelo ProAc (2018/2019).
 

Encenação e projeto
Alguns acontecimentos são capazes de redefinir a experiência humana. A densidade e a violência a eles relacionados marcam de forma definitiva a história. Quatro destes acontecimentos compõem a coluna vertebral da montagem: o extermínio de indígenas no continente americano, os três séculos e meio de escravidão no Brasil, o holocausto judeu na Europa e as novas formas de colonialismo no Oriente Médio, América Latina e África. Associados a eles, o trabalho discute diversos aspectos relacionados à terra e a produção de alimentos (soberania alimentar, agroecologia, concentração fundiária, agronegócio), além de alargar a discussão para o campo poético através de referências à obra de Shakespeare, Beethoven, João Cabral de Melo Neto, Mahmud Darwich, Graciliano Ramos e Carolina Maria de Jesus, entre outros. Um rico material iconográfico e audiovisual foi pesquisado e incorporado através de releituras, recriações e recontextualizações.

O trabalho, portanto, é marcado tanto pelo signo da mais brutal das violências, aquela que subtrai o indispensável à sobrevivência, quanto pela necessidade de dar sentido à vida. Assim, ao documentar a fome - inspirado pelas contribuições históricas e contemporâneas do teatro documentário - o projeto apresenta perspectivas e formas diversas. Trata-se da fome que extermina – e o século 21 continua fornecendo muitos exemplos -, e da fome que, diante das misérias, aponta para a luta por dignidade, beleza, verdade e justiça. As estratégias cênicas, que incluem música ao vivo e uma curta exibição de imagens, vão do registro claramente narrativo à insinuação dramática, passando pela farsa e pelo burlesco.

Sobre alguns autores e autoras utilizados em Fome.doc
A pesquisa empreendida pela Kiwi Companhia de Teatro em Fome.doc compreende a leitura de autores e autoras das mais diversas nacionalidades e vertentes. Um dos escritores sobre o qual o grupo se debruçou foi o frade dominicano Bartolomé de las Casas, que registrou em 1542 (a primeira publicação data de 1552) uma das mais contundentes denúncias sobre as violências cometidas pelos conquistadores europeus contra os indígenas do chamado novo mundo. Brevíssima relação da destruição das Índias é, ainda hoje, um documento incontornável para compreender o processo de invasão e colonização das américas.

Outro autor importante nesse processo de investigação foi o escritor italiano Primo Levi (1919-1989), sobrevivente de Auschwitz, que publicou em 1947 um dos mais importantes relatos sobre a vida nos campos de concentração e o extermínio de judeus, o livro É isto um homem?. A obra é também uma reflexão poética e filosófica sobre a desumanização e a sobrevivência em situações extremas. Poucos anos depois, em 1950, o martiniquês Aimé Césaire (1913-2008) publicou Discurso sobre o colonialismo. No texto, o escritor denuncia a violência europeia que se escondia sob o manto da “civilização ocidental”.

Do mesmo modo, fizeram parte do material de trabalho textos da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), conhecida internacionalmente pela obra Quarto de despejo - Diário de uma favelada (publicada em 1960), e do poeta Mahmud Darwich, morto em 2008, considerado o poeta nacional da Palestina.

Também serviu como material dramatúrgico para a montagem as Novas Cartas Políticas de Erasmo, missivas endereçadas ao imperador Pedro II e publicadas anonimamente na imprensa carioca na década de 1860. O autor era José de Alencar, conhecido romancista que defendia posições a favor da manutenção da escravidão no Brasil.


DEBATES após as apresentações

05 de julho (sexta-feira)

"Classe, Gênero e Etnia - A Fome na Atualidade" | Convidada: Simone Nascimento
Simone Nascimento - Graduada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Durante a graduação fez parte do Centro Acadêmico Benevides Paixão e do Coletivo de Estudantes Negros NegraSô. Atualmente é Militante da juventude do Movimento Negro Unificado e do Movimento RUA - Juventude Anticapitalista.

 

06 de julho (sábado)
"Capitalismo e Soberania Alimentar" | Convidado: Luiz Marques
Luiz Marques - Professor do Departamento de História (IFCH) da Unicamp. Publicou diversos livros e ensaios sobre a Tradição Clássica e, mais recentemente, também sobre a crescente degradação antropogênica dos ecossistemas, entre os quais, “Brazil. The legacy of slavery and environmental suicide” (History of Nations, Londres, Thames & Hudson, 2012). Atualmente participa, com um coletivo de professores da Unicamp, da criação do portal Crisálida, dedicado à informação, pesquisa, debate e mobilização acadêmica em torno das crises socioambientais contemporâneas.

 

Ficha Técnica
Roteiro e direção geral: Fernando Kinas
Elenco: Fernanda Azevedo e Renan Rovida
Direção musical: Eduardo Contrera
Execução musical ao vivo: Eduardo Contrera e Rafael Elfe (em alternância)
Iluminação: Aline Santini
Cenário: Márcia Moon
Figurino: Madalena Machado
Assistência e operação de luz e som: Clébio Souza (Dedê)
Confecção de marionetes: Celso Ohi
Preparação vocal: Roberto Moura
Vídeo: Luiz Gustavo Cruz
Vozes gravadas: Marilza Batista e Félix Sánchez
Programação visual: Camila Lisboa (Casa 36)
Fotografia: Filipe Vianna
Cenotécnico: Lázaro Batista Ferreira
Produção: Luiz Nunes e Daniela Embón

 

SERVIÇO
Temporada: 04 a 13 de julho de 2019
Quinta e sexta, às 20h
Sábado, às 18h
Oficina Cultural Oswald de Andrade
R. Três Rios, 363, Bom Retiro, SP
Tel: (11) 3222-2662
Ingressos: grátis
Duração: 100 min
Classificação: 14 anos

 

ASSESSORIA DE IMPRENSA
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