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De Volta a Reims volta no

Viga Espaço Cênico às quartas e quintas

Espetáculo prorroga a temporada, mas agora faz sessões às quartas e quintas. Temporada vai até 27 de junho.

 

Após receber várias críticas positivas sobre sua atuação no espetáculo De Volta a Reims, Pedro Vieira volta ao Viga Espaço Cênico a partir do dia 5 de junho para fazer mais uma temporada, agora às quartas e quintas. A peça tem Cácia Goulart na direção, Emerson Rossini na assistência e Reni Adriano na dramaturgia do texto. As sessões vão até dia 27 de junho, sempre às 21h.
 

"O espetáculo é um ato de reconciliação com o processo da vida e seus saberes, dares e tomares. Sua fala firme e reflexiva, inclusive na hora dos impasses e das serenidades, antagoniza com os tempos atuais falaciosos de desconstrução cultural."

Valmir Santos para o site Teatrojornal.
 

O desejo de montar De Volta a Reims partiu do ator Pedro Vieira, que assistiu uma adaptação da obra de Eribon no Festival de Avignon em 2017. O enredo acompanha o retorno de um intelectual à sua terra natal, onde se depara com um cenário político e social completamente diferente do da época em que morava lá, mais de 30 anos atrás. Entre os questionamentos que o acometem, estão sua relação com a própria sexualidade, alvo de ataques homofóbicos no tempo em que vivia no local, e o contexto operário que mudou completamente de perfil nas últimas décadas. Para Cácia Goulart, diretora da montagem, a interpretação de Pedro trafega pelo drama e pela filosofia, o que conecta suas memórias e realidade histórica às narrativas de Eribon.
 

“Como o jogo cênico épico se propõe a contar os acontecimentos ao invés de mostrá-los é preciso haver um trabalho coletivo virtuoso e é o que acontece aqui. A inventiva e bem resolvida concepção de luz de Bruna Lessa que explora o espaço cênico em diferentes estéticas; as fotografias e vídeos de Cacá Bernardes e Lessa que destacam elementos da narração; a cenografia limpa e transparente de Carol Buceck; e, por fim, as trilhas sonoras sempre inventivas e bem realizadas de Marcelo Pellegrini.”

(Celso Faria para o Blog E-Urbanidade)

 

“Além de atual o tema é universal e, quando escrito, já antecipava a ascensão da ultradireita e do neoliberalismo no mundo. Tivemos vivências diferentes, mas todos nós, em algum momento da vida, de algum modo tivemos experiências ligadas à homofobia, questões ligadas a raça e posição social. Tudo isso nos move a mergulhar nesse trabalho”, conta Emerson Rossini, assistente de direção e produtor de De Volta a Reims. Cácia Goulart complementa: “Proponho uma encenação que valorize sobretudo a dramaturgia construída a partir do que é essencial na obra original: a força absoluta do texto como um tecido de ideias necessárias ao nosso tempo”. Tais questões foram trazidas à cena por meio do texto, som e imagens que acompanham as memórias do personagem.

O livro Retour à Reims será publicado no Brasil em breve e já foi traduzido três vezes para o inglês – nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá – e uma na Alemanha. Didier Eribon é mais conhecido mundialmente por ser autor da biografia de Michel Foucault, mas seu livro de memórias lançado em 2009 tem recebido acolhida calorosa em todo o mundo, tendo sido adaptado para o teatro em três países: França (Laurent Hatat, 2014), Alemanha (Thomas Ostermeier, 2017) e Bélgica (Stéphane Arcas, 2017).

“É um relato sobre a luta para se libertar de um meio social operário homofóbico e a impossibilidade de reconciliar-se com as classes populares representadas pelos próprios pais e irmãos, trinta anos depois. A constituição da identidade sexual do autor aparece como um profundo projeto político de libertação e questionamento do poder, ao mesmo tempo em que a sexualidade torna possível o ‘milagre’ de sua ascensão social e intelectual, elevando-o a uma classe média cultural que o distancia para sempre dos afetos familiares”, sintetiza o dramaturgo Reni Adriano, complementando que o texto acompanha a volta do personagem à sua cidade de origem após a morte do seu pai, o que desencadeia muitas dessas reflexões.
 

Uma montagem potente, que escoa um conjunto acurado e atualíssimo de reflexões em torno de identidades de classe e sexual.

(Edgar Olimpio para o site Stravaganza)
 

“Com uma dramaturgia que mescla confissão, drama e filosofia, montagem valoriza a interpretação, com uma comovente performance de Pedro Vieira.”

(Mauricio Mellone para o site Favo do Mellone)
 

“Essa fusão de realidades universaliza o sentimento de resistência à força conservadora que cresce em muitas partes do mundo, e de forma assustadora no Brasil, onde a situação nos parece ainda mais grave, porque somos uma frágil e jovem democracia assolada por um golpe político cujo resultado, entre outras catástrofes sociais e econômicas, é o sufocamento crescente de uma cultura miscigenada e vibrante”, diz Cácia Goulart.

O assistente de direção Emerson Rossini, que já trabalha em parceria com Pedro há mais de vinte anos, conta que a diretora optou por uma encenação simples, necessária para que se evidencie o texto interpretado por Pedro e sua correlação com as projeções que o acompanham. “Pedro nasceu em Palmeiras dos Índios, em Alagoas, e veio para São Paulo aos 17 anos. Sua história também tem relações fortes com o relato de Eribon e de Reni”, conta Emerson.

Cácia Goulart reforça que o mergulho do ator nas próprias memórias e nas questões propostas por Eribon é urgente para um processo de reparação histórica à nossa trajetória de país colonizado, sempre sujeito a todo tipo de violência. “A partir de um minucioso trabalho em sala de ensaio, o ator evoca suas próprias afecções em contato com a contundência crítica de Eribon, jogando com as suas memórias, iconografias, cantigas e outras expressões culturais locais para criar um espaço de desnudamento, de ‘cara lavada’, posta diante de outros seres humanos”, finaliza.


“A encenação de Cácia Goulart é visualmente muito bonita iniciando com sugestivo jogo de luzes sobre o corpo semidesnudo do ator e utilizando as criativas luzes e vídeos de cena de Bruna Lessa e Cacá Bernardes para compor todo o restante da peça. Há um quê de teatro documentário com eventuais projeções de cenas de família do ator.”

(José Cetra para o blog Palco Paulistano)

 

SINOPSE

Livremente adaptado do livro Retour à Reims, do filósofo francês Didier Eribon, De volta a Reims é um relato autobiográfico sobre a formação da subjetividade gay e os conflitos decorrentes da negação da classe social de origem. No monólogo, o personagem que não voltava à sua cidade natal há mais de 30 anos, retorna após a morte do pai e se envolve em questionamentos sobre sua ascensão social, a implicação da homossexualidade no contexto que vive atualmente e a ascensão da extrema direita no cenário mundial.

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Cácia Goulart. Assist. direção: Emerson Rossini. Atuação: Pedro Vieira. Concepção de luz: Bruna Lessa. Fotografia e vídeos: Cacá Bernardes e Bruna Lessa. Cenografia: Carol Buceck. Sonoplastia: Marcelo Pellegrini. Dramaturgia: Reni Adriano (Livre inspiração para o teatro do romance Retour à Reims de Didier Eribon). Produção: Pedro Vieira e Emerson Rossini. Assessoria de imprensa: Canal Aberto

 

SERVIÇO

De Volta a Reims

De 05 a 27 de junho de 2019

Quartas e quintas, às 21h

Local: Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 1323 CEP: 05409-003). Entre a rua Heitor Penteado e a Amália de Noronha, próximo ao metrô Sumaré. Tel: (11) 3801-1843. 
Capacidade: 73 lugares.

Classificação indicativa: Livre. Duração: 90 minutos

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

 

Assessoria de Imprensa
Canal Aberto

Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 | 9 9126 0425 | 9 8435 6614

marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br

 

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