descricao

teatro | presencial


Hip-Hop Blues - Espólio das Águas, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, reestreia no Galpão do Folias 

Editado: Em função de casos confirmados de COVID-19 na equipe, as últimas apresentações, nos dias 20, 21 e 22 de maio, de Hip Hop Blues - Espólio das Águas - o mais recente espetáculo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos - foram canceladas.

As apresentações acontecem de 29 de abril a 22 de maio; espetáculo fricciona depoimento e ficção e traz questões que revelam e contrapõem o racismo, a moralidade, a intolerância

Link para mais fotos 

 

O rio Mississipi, presente na obra de Brecht como percurso, é transposto para os rios soterrados da cidade de São Paulo, que transbordantes em dias de chuva, trazem memórias à superfície.

 

Depois de uma bem sucedida temporada de estreia, Hip-Hop Blues - Espólio das Águas, novo espetáculo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, chega ao Galpão do Folias - Espaço Reinaldo Maia (Rua Ana Cintra, 213, Santa Cecília, São Paulo, SP). As apresentações acontecem de 29 de abril a 22 de maio de 2022, sextas e sábados, às 21h; domingos, às 19h.

“Esse espetáculo é resultado de um processo pós-pandêmico em diálogo com a reflexão  sobre os 20 anos de pesquisa continuada do Núcleo Bartolomeu. Ele foi se desconstruindo do que era inicialmente, uma narrativa única, e como um mosaico agregou depoimentos propostos à luz de tudo o que estávamos e continuamos vivendo individual e coletivamente” fala Claudia Schapira, diretora e dramaturga do espetáculo.

Quando a pandemia pelo novo Coronavírus começou, em 2020, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos iniciava as comemorações dos 20 anos de atividades continuadas. Atravessados e tocados pelas devastações e consequências causadas pela pandemia e pelo momento político crucial em que nos encontramos,  o coletivo estreia agora mais uma peça, a 18ª de seu repertório, de forma presencial.

Enxurrada
A ideia da peça começou a ser construída em 2020 quando a obra “Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses" de Bertold Brecht, serviu como uma espécie de disparador para a criação do espetáculo. Conforme o processo foi  avançando, com a chegada da pandemia e os questionamentos trazidos por ela, Hip-Hop Blues - Espólio das Águas começou a tomar novos rumos. O rio Mississipi presente na obra de Brecht como percurso é transposto para os rios soterrados da cidade de São Paulo, que transbordantes em dias de chuva, trazem memórias à superfície.

“O rio nunca pára, não adianta tentar apreender o inapreensível. Nos inspiramos nos percursos dos rios de São Paulo trazendo isso para a peça, criando situações que mostram o afogamento e a necessidade constante de mergulhar para ir buscar sensações, sentimentos e trazê-los à superfície”, explica Claudia Schapira. 

Partindo de depoimentos pessoais do elenco, que foram confrontados com questões contemporâneas ligadas ao eurocentrismo presente na sociedade brasileira, o Núcleo Bartolomeu entrou num intenso processo de construção - desconstrução - reconstrução, até chegar no que se vê no palco.

“A cheia veio, os rios subiram, transbordaram, desceram e deixaram como espólio memórias d'água. Essas memórias são a matéria prima com a qual fomos trabalhando entretecendo as narrativas"  fala Claudia Schapira.

Mais detalhes sobre a encenação
Depois da encenação de último espetáculo "Terror e Miséria no Terceiro Milênio - Improvisando Utopias" baseado em um dos textos mais propositivos de Brecht, Hip-Hop Blues - Espólio das Águas traz uma faceta mais  processual e performática do Núcleo, que procura elaborar cenicamente os confrontos com a palavra, a forma, a representação, a  linguagem, dentre tantas outras questões que nos desafiam nesse tempo que nos tocam  viver.

O texto costurado por Claudia Schapira, a partir de fragmentos de memórias coletivas, assimilando depoimentos do elenco, ora comentam a realidade, ora desenvolvem pequenas narrativas que se relacionam com ela criando um tecido polifônico que reverbera a impossibilidade de um discurso unificado. 

A música exerce papel central em Hip Hop Blues, confluindo grande parte dos textos. “O blues é apresentado como visão de mundo, como forma de resistência e de protesto. Como ágora capaz de abrigar todas as diásporas, todos os levantes e de dar contorno ao momento desafiador pelo qual estamos passando; que lança mão do ritmo e da poesia como se fosse reza, como se fosse lamento, também reivindicação e luta, sem abrir mão do poder transformador da celebração"  diz Claudia Schapira.

O cenário proposto por Marisa Bentivegna procura trazer para a cena o elemento água - e em diálogo com a  iluminação de Matheus Brant e as imagens de Vic Von Poser - cria uma instalação que interpela a narrativa interferindo em seu curso. A dramaturgia sonora, as partituras de movimento, o vocal e os figurinos, somam-se a esse contexto materializando a experiência do atravessamento pelas águas. 

Além dos quatro membros-fundadores do Núcleo - Claudia Schapira, Eugênio Lima, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D' Alva -, o espetáculo ainda conta com Cristiano Meirelles, Dani Nega, Nilcéia Vicente e Daniel Oliva, artistas-aliados que já colaboraram com coletivo Bartolomeu em outras produções. Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, Aretha Sadick e Zahy Guajajara, se juntam ao elenco formando a narrativa com a adição do vídeo, trazendo vozes que fortalecem o discurso na busca da construção de outras realidades possíveis. 

“Estamos em um momento onde precisamos ouvir e interagir com diferentes discursos, outras narrativas que não só as nossas. Nesse sentido, convidar artistas que trouxeram essas vozes não só ampliou, mas também fortaleceu um vislumbre que se renova em direção ao futuro", diz  Schapira.

Sinopse
Chove, chove muito. Os rios transbordam e ocupam São Paulo, reivindicando seu lugar de existência. "Hip-Hop Blues - Espólio das águas" é um espetáculo tecido em fragmentos. Em um galpão, algo que parece ser um teatro, seis atores refletem e  ensaiam tentando dar contorno a estes tempos. Num jogo cênico que fricciona depoimento e ficção, o centro da ágora é permeado por histórias e ancestralidades que revelam e contrapõem  o racismo, a moralidade, a lgbtqia+fobia, a intolerância, a supremacia branca e patriarcal e seus inúmeros braços estruturais.

Os 20 anos e o trabalho durante a pandemia
O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos completou 20 anos de criação e de atuação contínua com a construção da linguagem do teatro hip-hop e ganha comemoração com diversas atividades programadas ao longo de 2021 e 2022. 

Durante esses dois últimos anos, o coletivo ofereceu diversas atividades virtuais e gratuitas ao público - rodas de conversas, oficinas, campeonatos de slam, releituras dramáticas por outros coletivos aliades e espetáculos audiovisuais (Terror e Miséria no Terceiro Milênio - Aquilombados no Oficina e Hip-Hop Blues).

Essas duas décadas de intenso trabalho originaram não só uma cartografia que mescla linguagem e trajetória do grupo, mas também reflexões e um importante olhar para o futuro na formação de novos imaginários.

Dentre as comemorações dos 20 anos , está previsto para o início de maio o lançamento de "A Palavra como Território - Antologia Dramatúrgica do Teatro Hip-Hop", reunindo 14 peças do Núcleo Bartolomeu com apresentações de convidades como Zé Celso Martinez Correa, Jé Oliveira, Georgette Fadel, entre outros.  

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, formado por Claudia Schapira, Eugênio Lima, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D'Alva, nasceu no ano de 2000 e tem como pesquisa de linguagem o diálogo entre a cultura hip-hop, com a contundência da autorrepresentação como discurso artístico, e o teatro épico e seus recursos: o caráter narrativo, apoiado por uma dramaturgia que se configura depoimento do processo histórico; como instrumento que elucida uma concepção do mundo, e coloca o ator-narrador em face de si mesmo como objeto de pesquisa; como homem mutável; em processo, fruto do raciocínio, da reflexão.

Estreou em 2000 Bartolomeu, O Que Será que Nele Deu, o primeiro espetáculo do Núcleo, dirigido por Georgette Fadel e inspirado no romance de Herman Melville "Bartleby, O Escriturário". Acordei Que Sonhava, uma livre adaptação de "A Vida É Sonho", de Calderón de la Barca, foi o segundo espetáculo da companhia, estreado em 2002, dirigido por Claudia Schapira.

Entre os anos de 2002 e 2003, o Núcleo desenvolveu Urgência nas Ruas – obras-manifesto, intervenções pelas ruas de São Paulo. Esse projeto foi o primeiro a ser contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Em 2006 estreia Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio de Lendas Urbanas, espetáculo inspirado na Odisseia de Homero.

5 x 4 – Particularidades Coletivas, de 2008, gerou cinco espetáculos: Encontros Notáveis, 3×3 – Três DJs em busca do vinil perdido, Manifesto de Passagem – 12 Passos em Direção à Luz, Vai te Catar! e Cindi Hip-Hop – Pequena Ópera Rap.

Em 2009, o Núcleo iniciou Pajelança de Kuarup no Congá, que depois de quase três anos de intensa pesquisa resulta no espetáculo Orfeu Mestiço, uma Hip-Hópera Brasileira.

Antígona Recortada estreou em 2013 e em 2014, BadeRna, último espetáculo realizado na sede do grupo, que foi demolida pela Ink Incorporadora e todos seus associados.

No Teatro de Arena Eugênio Kusnet, realizou a Ocupação Arena Urbana – De onde viemos, para onde voltamos (em 2015) que contou com a temporada de três obras inéditas: Memórias Impressas, Olhos Serrados e 1, 2, 3 – Quando acaba começa tudo outra vez (que marcou a incursão do grupo no universo do teatro infantil).

Em maio de 2016, estreou Cassandra – Na calada da voz, uma performance teatral, trazendo à luz a violência infringida através dos tempos ao discurso feminino.

Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias estreou em junho de 2019, com dezenas de apresentações. É ganhador do Prêmio Shell de Teatro (SP) na Categoria Música e também do APCA (da Associação Paulista de Críticos de Arte) .

Além dos espetáculos, o Núcleo criou vários projetos, em 2008, ZAP! Zona Autônoma da Palavra, o primeiro poetry slam (campeonato de poesia) brasileiro, que deu origem ao SLAM SP e ao SLAM BR e, em 2009, DCC – Dramaturgia Concisa e Contemporânea, um espaço dedicado à criação e debate sobre produção de textos cênicos curtos e inéditos.
 

Ficha Técnica
Direção:
Claudia Schapira Dramaturgia:  Claudia Schapira e elenco Concepção Geral: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos Atores/Atrizes-MC’s: Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva Guitarra: Daniel Oliva Direção musical: Dani Nega, Eugênio Lima e  RobertaEstrela D’Alva Músicas: Núcleo Bartolomeu e elenco Assistência de direção: Rafaela Penteado Cenografia: Marisa Bentivegna Criação e operação de luz: Matheus Brant Assistência de iluminação: Guilherme Soares Criação e operação de vídeo: Vic Von Poser Assistência de cenografia: César Renzi Cenotecnia: César Rezende Assistência de vídeo: Beatriz Gabriel Direção de movimento: Luaa Gabanini Técnica de spoken word e métricas: Roberta Estrela D’Alva e Dani Nega Técnica de canto blues: Andrea Drigo Técnica de sapateado: Luciana Polloni Danças urbanas: Flip Couto Participações especiais vídeo: Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, Aretha Sadick e Zahy Guajajara Participações especiais áudio: Matriark e Reinaldo Oliveira Pensadores-provocadores convidados: Luiz Antônio Simas, Luiz Campos Jr. e Celso Frateschi Engenharia de Som: João de Souza Neto e Clevinho Souza Intérprete Libras: Erika Mota e equipe Figurinos: Claudia Schapira Figurinista assistente e direção de cena: Isabela Lourenço Costureira: Cleuza Amaro Barbosa da Silva Direção de produção, administração geral e financeira: Mariza Dantas Direção de Produção Executiva: Victória Martinez e Jessica Rodrigues [Contorno Produções] Assistência de produção: Carolina Henriques e Helena Fraga Coordenação das redes sociais: Luiza Romão Assessoria de Imprensa e Coordenação de Comunicação: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e Daniele Valério Programação Visual e Desenhos: Murilo Thaveira Fotos divulgação: Sérgio Silva

Agradecimentos
Lu Favoreto, Estúdio Nova Dança Oito, Pequeno Ato, Galpão do Folias, Lucía Soledad, Marisa Bentivegna, Colégio Santa Cruz – Raul Teixeira, Périplo Produções

Serviço
Hip-Hop Blues - Espólio das águas
Temporada Folias
de 29/04 a 22/05/2022 

[Sextas e Sábados às 21h e Domingos às 19h] 
Local: Galpão do Folias - Espaço Reinaldo Maia
Rua Ana Cintra, 213 - ao lado do metrô Santa Cecília
Valor R$ 30,00 Inteira/ R$ 15,00 meia / 10,00 morador
Vendas: galpaodofolias.com/agenda

Faixa etária: 12 anos

 

Informações para a imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques -
marcia@canalaberto.com.br - 11 99126 0425
Carol Zeferino -
carol@canalaberto.com.br - 11 99425 1328
Daniele Valério -
daniele@canalaberto.com.br - 11 98435 6614

Compartilhar :