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Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias

reestreia no

Teatro de Contêiner Mungunzá

 

Após temporada de casa cheia no Sesc Bom Retiro, o espetáculo ‘Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias’, com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e aliados, Claudia Schapira, se apresenta de 30 de agosto a 22 de setembro de 2019, no Teatro de Contêiner Mungunzá. Os 11 atores MC’s (Fernanda D’Umbra, Georgette Fadel, Jairo Pereira, Luaa Gabanini, Lucienne Guedes, Nilcéia Vicente, Roberta Estrela D’Alva, Sergio Siviero e Vinícius Meloni, Dani Nega e Eugênio Lima - os dois últimos também djs da peça), tomam o palco com Bertolt Brecht como ponto de partida para uma reflexão cênica sobre os tempos atuais.

Uma sala com bancos, cadeiras, escadas de teatro, refletores manuais e uma lousa remete ao espaço em que artistas ensaiam uma peça que tenta dar conta da dimensão dos nossos tempos. Segundo a diretora, o cenário é um grande esqueleto. “Não há musculatura, é tudo no osso – isso se destaca tanto nos elementos cênicos quanto nos figurinos, compostos por casacos longos, saias e adereços em tons variados de cinza, conta”. A peça é composta por 8 cenas e respectivos comentários, fora prólogo e epílogo, que discutem temas contemporâneos relacionado à ascensão do fascismo no mundo.

O espetáculo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos tem o que há de melhor da palavra no seu sentido etimológico: é direto e contundente em suas críticas e denúncias aos absurdos desse governo que conduz dia a dia nosso país a um precipício e o faz de forma lúdica numa linguagem que atinge qualquer tipo de público. (José Cetra, blog Palco Paulistano)

A dramaturgia é compartilhada e se atualizou durante o processo de criação da peça conforme as situações sociais se desenrolavam. Discussões sobre a flexibilização do porte de armas, o genocídio negro, a LGBTfobia, machismo e muitas outras violências cotidianas e institucionais se alternam e ganham forma a partir de textos falados e cantados, que é a característica do teatro hip-hop, a linguagem deste coletivo. Para os artistas que realizam a dramaturgia sonora: “O som, a música e o silêncio entram como palavra e imagens, criando outras camadas que dimensionam ainda mais as discussões. A música é tensão e poesia, ela expressa o que não damos conta de dizer de outra maneira, é por vezes a utopia que nos auxilia a falar de coisas tão duras”, explica a diretora.

Depois de Antígona Recortada (2013) - último espetáculo onde todos os membros do grupo participaram juntos - que radicalizou a linguagem de teatro hip-hop e que lhes conferiu o Prêmio Governador do Estado - o grupo sentiu a necessidade do encontro com outros artistas, cada um com sua linguagem e com a sua visão de mundo, para a criação dessa nova obra.

Em conjunto, os procedimentos criativos usados nas cenas de “Terror e Miséria” reativam a capacidade do teatro em provocar a inteligência de seus espectadores. Não é uma máquina de guerra cultural, mas uma posição expressiva na arena política e, ao mesmo tempo, um “exercício experimental de liberdade”. (Paulo Bio Toledo, caderno Ilustrada/ FSP)

“Em tempos de rede, estar de corpo presente, frente a frente com o outro, é quase uma utopia”, complementa Claudia sobre a importância de presentificar a partir do teatro o encontro com o público.

No seu diário de trabalho, Brecht se refere ao texto Terror e Miséria no Terceiro Reich como um compêndio de gestos sociais capaz de exemplificar o contexto que se formou durante os anos que precederam a segunda guerra mundial e que resultaram na ascensão do fascismo/nazismo.

Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias traça um paralelo entre a barbárie espalhada no nosso cotidiano com aqueles anos que precederam a Segunda Guerra Mundial e a ascensão do fascismo e do nazismo. A diretora Claudia Schapira sugou da realidade do presente muitos fluxos de uma arena de contradições, com vistas ao futuro. (Ivana Moura, Satisfeita, Yolanda?)

Além de Brecht, outras referências do Núcleo formaram a composição deste espetáculo: escritores e ativistas como Angela Davis, Grada Kilomba, Frantz Fanon, Achille Mbembe, Walter Benjamin, entre outros. No entanto, o Núcleo ressalta que nada serviu mais de referência ao grupo do que o que estamos vivendo neste momento. Claudia descreve a realidade como um livro de estudo e uma arena de contradições – sendo o espetáculo uma tentativa de propor discussões e confrontar os apontamentos que surgem a partir disso.


SINOPSE
Nove atores e dois DJs ensaiam confinados em um teatro que lhes serve como uma espécie de fortaleza. Sentados em dois bancos, esperam para entrar em cena e falar sobre o tempo em que vivem; criam a partir de algumas cenas do Terror e Miséria no Terceiro Reich, de Bertolt Brecht, (que funciona como disparador) uma reflexão cênica sobre estes tempos. Num jogo entre atores e personagens, a cada cena, diferentes   visões de mundo se confrontam, deixando evidente o que os une e o que os separa. 

Terror e Miséria no Terceiro Milênio é uma pancada aos que seguem cegos ao que está explícito. O teatro épico de Brecht, na releitura desse texto tão contundente, revela a precariedade das conquistas e das utopias. (Celso Farias, Blog E-Urbanidade).

 

FICHA TÉCNICA
Direção: Claudia Schapira
Dramaturgia: Claudia Schapira em colaboração com Lucienne Guedes e elenco – livremente inspirado em “Terror e Miséria no Terceiro Reich” de Bertolt Brecht
Inserções de poemas: Jairo Pereira e Roberta Estrela D’Alva 
Tradução auxiliar: Camilo Shaden
Direção Musical: Dani Nega, Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva 
Direção de Movimento e Coreografias: Luaa Gabanini
Assistência de Direção: Maria Eugenia Portolano
Atores-MCs: Fernanda D’Umbra, Georgette Fadel, Jairo Pereira, Luaa Gabanini, Lucienne Guedes, Nilcéia Vicente, Roberta Estrela D’Alva, Sérgio Siviero e Vinícius Meloni.
Atores-MCs e DJs: Dani Nega e Eugênio Lima
Direção de arte: Bianca Turner e Claudia Schapira
Vídeo e cenário: Bianca Turner
Figurino: Claudia Schapira
Figurinista assistente: Isabela Lourenço
Técnica de spoken word e métricas: Roberta Estrela D’Alva
Kempô e Treinamento de Luta: Ciro Godói
Danças Urbanas: Flip Couto
Preparação Vocal: Andrea Drigo
Iluminação: Carol Autran
Engenharia de Som: Eugênio Lima e Viviane Barbosa
Costureira: Cleusa Amaro da Silva Barbosa
Cenotécnico: Wanderley Wagner da Silva
Design gráfico:  Murilo Thaveira
Estagiárias: Isa Coser, Junaída Mendes, Maitê Arouca
Direção de Produção: Mariza Dantas
Produção Executiva: Jessica Rodrigues e Victória Martínez (Contorno Produções) e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos- Teatro Hip-Hop
Assistente de Produção: Leticia Gonzalez (Contorno Produções)
O vídeo Contém samples dos documentários “SLAM: Voz de Levante” de Roberta Estrela D’Alva e Tatiana Lohmann (poeta Kika Sena) e “Mães de Maio – um grito por justiça” de Daniela Santana)

 

SERVIÇO

Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias

De 30 de agosto a 22 de setembro 2019

Sexta e sábado, às 20hs e domingo, às 19h

Local: Teatro de Contêiner Mungunzá

R. dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, São Paulo/ SP

Capacidade: 99 lugares.

Duração: 120 minutos. Classificação: 14 anos.

Ingressos: R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia) / R$ 5,00 (moradores)

Venda online: https://www.ciamungunza.com.br/

*A venda online é limitada e os ingressos também serão vendidos em nossa bilheteria

 

Assessoria de Imprensa
Canal Aberto
Márcia Marques | Daniele Valério
Contatos: (11) 2914 0770 | 9 9126 0425 | 9 8435 6614
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